Wat Phra Doi Suthep, onde fé e esplendor se entrelaçam

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Religiosidade e fé se entrelaçam em uma viagem estética. No Nordeste da Tailândia, nas proximidades de Chiang Mai, a 1.600 metros de altitude plaina, entre os picos de montanhas graníticas gêmeas, o dourado Wat Phra That Doi Suthep.

Ladeados por najas monumentais delicadamente decoradas com um mosaico multicolor de cerâmicas, estão 306 degraus até a estrutura sagrada. Lentamente, degrau a degrau, este é o exercício. Meditação. A cada passo.  Do alto da escadaria, num amplo pátio interno, descortinam-se as paisagens do vale, das florestas do parque nacional Doi Suthep Pui e da cidade, que um dia foi a capital do Reino de Lanna, – o reino de milhões de campos de arroz.

O pináculo do pagode, uma joia que carrega doze quilos de ouro maciço, se eleva e se mostra por detrás das paredes decoradas que envolvem o santuário central. Conta a lenda que esse espetacular templo, fundado no século XIV e hoje, um dos principais centros de peregrinação da Tailândia, foi ali construído depois que o rei de Lanna, Phaya Kue Na, em busca de um lugar sagrado para a sua relíquia de Buda, colocou-a no dorso de um elefante branco e orou. O animal caminhou pela floresta, em direção ao monte Doi Suthep. Escalou a montanha e, ao atingir o cume, deu três voltas, bramiu três vezes e morreu. O rei entendeu o sinal. Mandou construir ali o pagode de cinco metros para abrigar a relíquia.

Governantes que o sucederam fizeram ampliações no templo. Foi em 1.525, sob o reinado de Muang Kaew, que o chedi ganhou 16 metros folheados a ouro e ricamente ornamentado com finos desenhos em sua estrutura e adereços. A sua extremidade é em ouro maciço.

A escadaria foi construí­da em 1.557 por Pra Maha Yanmongkok, monge de Lamphun. A naja é a serpente mitológica que protegeu Buda da tempestade. Conta uma das versões da lenda que pouco tempo depois de ter alcançado a iluminação, certa ocasião, meditava por sete dias ao pé de uma figueira-dos-pagodes. Foi colhido por uma grande tempestade. Muccalinda, o rei das najas, surgiu, enrolou-se por sete vezes no corpo de Buda para mantê-lo aquecido e, com seu capelo, protegeu-o da chuva que se estendeu por sete dias. Quando estiou, Buda emergiu de sua meditação. Muccalinda desenrolou-se e assumindo a forma de um jovem, ouviu dele: 

A felicidade é para aqueles que escutam e conhecem a verdade.
Felizes são aqueles que não têm nenhum apego e ultrapassaram os desejos dos sentidos. A dissolução da ideia de “Eu sou” é, na realidade, a maior das felicidades.

Beleza e majestade. Se no atual reino da Tailândia as plantas arquitetônicas ainda guardam conexão com os antigos templos dos impérios e reinados que o precederam, este templo carrega a estética multicolorida do período Lanna (século XIII a XIX).

O dourado predomina e se mescla com infindáveis combinações de peças de cerâmica, madeiras ornamentais e pedras. Parassois dourados, sí­mbolos da realeza, acenam dos quatro cantos do pagode central. Devotos fazem ali as três voltas sagradas.

O pátio interno ganhou a atual estrutura em 1805, sob Chao Kawila, governante de Chiang Mai. As capelas ao redor do santuário central são finamente decoradas em um ouro artesanalmente modelado e ocupadas por inúmeras figuras douradas de Buda, em suas nove tradicionais posições, inclusive uma toda em ouro, além de murais descrevendo a vida de Buda.

Dois espaços ornados para a meditação estão a Leste e a Oeste do claustro. Em ambos, as paredes internas são ricamente esculpidas, o primeiro com a descrição da lenda do elefante branco e a relíquia de Buda e, o segundo, com o Vessantara Jataka, uma das mais populares histórias das escrituras do Budismo Thevarada. Durante muitos anos esse templo foi a morada da estátua do Buda de Esmeralda, atualmente no templo de Wat Phra Kaeo, dentro do complexo do Grande Palácio, em Bangkok. Atualmente, uma réplica se junta às diversas imagens cultuadas pelos devotos.

Trata-se da história de uma das vidas passadas de Buda, em que ele era o príncipe Vessantara, muito caridoso, Vessantara, que doa tudo o que tem, inclusive os próprios filhos, exibido a virtude da caridade perfeita.

A história data do século XIV. Segundo a lenda, a relí­quia de Buda que está neste templo de Doi Suthep teria sido oferecida ao rei de Lanna pelo monge Sumanathera, do Reino de Sukhothai. O monge havia sido avisado em sonho para ir a Pang Cha. Lá chegando encontrou um osso que reivindicou ser do ombro de Buda. Teria poderes mágicos: brilhava, era capaz de desaparecer, se duplicava. O monge levou-a ao rei de Sukhothai, que duvidou de sua autenticidade. Ao tomar conhecimento da história, o rei de Lanna, Phaya Kue pediu que lhe fosse levada a relí­quia. Em 1.368, o osso tido como sagrado foi levado a onde atualmente é Lamphun, no Nordeste da Tailândia. Lá, a relíquia teria se partido. O menor pedaço foi consagrado a um templo em Suandok. E o maior, entregue a Phaya Kue Na, que após guardá-la por trás anos, depositou-a no dorso do elefante branco para que este encontrasse o seu lugar sagrado.

Texto e imagens: Bertha Maakaroun