Ali, onde nasceu Mozart, a sinfonia brota e encanta em cada esquina da cidade
As escavações arqueológicas dão conta de que os primeiros assentamentos desta cidade austríaca romântica remontam aos celtas. Por volta do ano 15 AC, os núcleos isolados de habitantes foram unidos pelo Império Romano numa vila denominada Juvavum, que, meio século mais tarde, próspera por integrar a rota do sal, tornou-se uma das mais importantes cidades da Província Romana de Nórica. Com o declínio do império, contudo, por volta do século VII, Juvavum se transformou em ruínas.
O renascimento de Salzburg é atribuído a São Ruperto. Chamado pelo Duque da Baviera, Teodão, – comprometido com a expansão da Igreja Católica naquela região – Ruperto explorou o rio Salzach, em busca de uma localidade para fundar a sede episcopal. Por aquele curso, rasgando montanhas e campos, corriam as barcaças com o carregamento do sal extraído das minas de Hallstatt, a 70 quilômetros dali.
Hohensalzburg, em sentido literal, “Fortaleza Alta de Salzburg”, se alonga sob o topo da montanha por 250 metros de comprimento e 150 metros de largura, constituindo um dos maiores castelos medievais da Europa. Ao longo de sua milenar história, jamais foi conquistada. É magnífica. Vista em meio aos jardins do Palácio de Mirabel, domos altivos contrastam com a montanha Festungsberg, onde ao topo reina solitária sobre Salzsburg, varrendo num raio de 360 graus, uma porção dos Alpes austríacos, florestas, o leito do rio Salzach e o centro histórico da cidade construída sob a inspiração da fé católica.




Foi a primeira igreja cristã da região, dos tempos de Severino de Noricum
Em 696, as ruínas abandonadas daquela que foi a primeira igreja cristã da região, dos tempos de Severino de Noricum, ao sopé Noroeste do magnífico monte Mönchsberg, foram escolhidas por São Ruperto para erigir a igreja em honra a São Pedro. Rebatizada, Juvavum, agora Salzburg, – em tradução literal “castelo de sal” – que vivera os seus tempos de glória no auge do Império Romano, renascia das cinzas e na evangelização.
Foi durante a Controvérsia da Investidura, em 1.075 entre o Papa São Gregório VII e o imperador Henrique IV do Sacro Imperador Romano, que o Arcebispo de Salzburg Gebhard, leal seguidor do papa, se percebeu em perigo: a maioria dos senhores feudais ao Sul da Alemanha havia se posicionado do lado oposto. Buscou se defender: iniciou em 1077 a construção de três castelos na região – Hohenwerfen no distrito de Pongau, Friesach, na Caríntia e a maior e mais bem preservada fortaleza medieval, a espetacular Hohensalzburg.
Pelos seis séculos seguintes, Hohensalzburg se expandiria até adquirir a atual conformação. Enraizada a 542 metros de altitude, do cume da montanha Festungsberg abre-se a cidade antiga. Nesta eleva-se o domo da Catedral de Salzburg, a mais importante peça da arquitetura sacra desta cidade, em cuja pia baptismal um dos maiores gênios da história da música recebeu o sacramento. E é embalada pela sinfonia de Mozart que abrem-se novos horizontes nas curvas do rio Salzach.
Texto
Bertha Maakaroun
Imagens
Jiuguang Wang