Rocamadour

Dependurada sobre o penhasco, o vilarejo medieval surge em meio ao vale do Dordogne. Pequenas casas, torres, igrejas, muralhas se agarram em escalada ao cânyon com altura de 120 metros, companheiro do rio Alzou.

FONTE: Wikimedia Commons

Rocamadour ou “rocha do São Amador” está ao Sudoeste da França, nas proximidades do Parque Natural Regional de Causses de Quercy, região que foi campo de batalha de uma série de conflitos que se estenderam do advento do Cristianismo até o século 18. Por ali,  na Aquitânia, ingleses tombaram ao final da Guerra dos Cem Anos. E, em uma série de massacres, católicos se digladiaram com huguenotes deixando como testemunhos um rastro de muralhas e bastides.

Foi a partir de 1.166 que Rocamadour tornou-se um dos centros de peregrinação mais procurados por fieis:  um antigo túmulo e sepulcro revelou um corpo ainda conservado, tido como São Amador, eremita dos primeiros tempos do Cristianismo. Identificado com Zacheus e marido de Santa Verônica, que teria enxugado o rosto de Cristo no caminho para o Calvário, eles teriam deixado a Palestina por perseguição e, guiados por um anjo, desembarcado na costa da Aquitânia. Depois de viajar para Roma, onde teria testemunhado o martírio de São Pedro e São Paulo, São Amador regressou à França e, com a morte de sua esposa, teria se tornado um eremita.  Conta a lenda que a partir da descoberta do sepulcro, uma série de milagres teriam sido anunciados pelo sino da capela de Notre-Dame. O altar desse santuário guarda a Virgem Negra, pequena imagem em madeira preta, objeto de veneração.

Notre-Dame está instalada no  coração de Rocamadour.  O seu acesso se dá por uma escadaria monumental de 233 degraus. Milhares de peregrinos do século XII por esta se arrastaram ajoelhados, portando os seus terços. Ao final da penosa escalada, um átrio se abre e nele se revelam antigos abrigos sob as rochas, oito igrejas e capelas, entre elas a de Saint-Sauveur e a cripta de São Amador, ambas listadas como Patrimônio Mundial pela Unesco por sua importância na peregrinação de Santiago de Compostela.
Para além da viagem espiritual daqueles que acreditam, Rocamadour é puro charme. O portão do Figuier (da Figueira) conduz à única rua do vilarejo, a rue de Couronnerie, um passeio por belas casas medievais e lojas coloridas. Coroando a rocha, o castelo superior, que proporciona um excepcional mirante não só sobre a cidade sagrada como pelo Vasto Vale do Dordogne, território que esconde florestas, vilarejos e as grutas  de Padirac.

Texto: Bertha Maakaroun