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Ao contrário de outras localidades da Campânia italiana, que por ocasião das guerras púnicas, apoiaram Aníbal, Pompeia se manteve fiel, escapando de sanções aplicadas por romanos após a derrota dos cartagineses. Com o domínio sobre o Mediterrâneo, e consequente facilidade de circulação de mercadorias, a cidade produtora de azeite e de vinho, teve um período de grande crescimento ao longo do século II a.C..
Em 1.748, Pompeia levanta-se das cinzas, em excepcional estado de conservação, assombrando o mundo com a organização das oito portas de entrada, o anfiteatro, o Grande Teatro, as ruas revestidas em pedras, as calçadas, a rede de escoamento da água e as fontes públicas.
Roma é uma sociedade profundamente desigual e de classes. No topo da pirâmide estão os patrícios, proprietários de terras que ocupam os cargos públicos, possuem riqueza e escravos. A plebe, composta por pequenos comerciantes, artesãos e outros trabalhadores livres, embora constitua a maioria, tem poucos direitos políticos. A estrutura social estática e de baixa mobilidade é nítida em Pompeia.
Se por um lado o luxo e a riqueza se exibem na casa do Fauno, com o seu impressionante mosaico da batalha de Isso, de Alexandre o Grande, assim como na Casa Fonte Grande entre outras residências com seus afrescos, paredes de mosaico, jardins de inverno e fontes; por outro, tintureiros e lavadores consolidavam as suas módicas moradas no Edifício Eumaquia.
Aspectos, dos mais cotidianos de um outro tempo ganham vida neste impressionante sítio arqueológico, que é Patrimônio Mundial da Humanidade: o mercado de frutas, os moinhos, os fornos, as termas, os templos, como o de Apolo, o de Júpiter, o de Vespasiano e o da Fortuna. Em via pública, as inscrições de falos indicam o prostíbulo. No interior do chamado Lupanar, – o que significa “onde habita a loba” – as pinturas eróticas decoram paredes. O sexo é mágico e divino. Príapo, deus da fertilidade, está representado ao lado de cestas de frutas e de plantações.
A arte do mosaico ali floresce. Entre inúmeros, à porta da casa do poeta, o de um cachorro na coleira com a inscrição “cuidado com o cão”. Murais e afrescos em suas cores originais, espalhados por casas. Pela Vila Imperial, por edifícios públicos, as magníficas colunatas, como o edifício da Administração da Justiça. E se na rua do Sepulcro Pompeia enterra os seus mortos; a cidade marca em arcos os triunfos romanos no Fórum.
A erupção do Vesúvio aniquilou 80% da população da cidade, estimada em 20 mil. Corpos das vítimas, colhidas no momento da tragédia, eternizam o momento. Aprisionados entre as cinzas, solidificaram-se com o tempo. As silhuetas e expressões faciais – que subitamente conheceram a morte – foram preservadas por uma técnica com gesso desenvolvida por Giuseppe Fiorelli, diretor de escavações de Pompeia entre 1860 e 1875. Percorrer Pompeia é uma viagem no tempo. Igualmente, é a eterna lembrança da tragédia humana diante do fim, do nada. Como disse certo pensador: um dia, todos estaremos mortos.
Texto: Bertha Maakaroun