09/11 – O espetacular Pavilhão do Trono de Mármore, em Teerã, no Irã

Adornado pelo delicado trabalho em azulejos, pinturas, esculturas e incontáveis quebra-cabeças de espelhos. Integra o complexo do Palácio Golestan, em tradução livre, Palácio das Rosas.
1001 lugares pra se viver o espetacular Pavilhão do Trono de Mármore, em Teerã, no Irã

O trono de mármore, símbolo dos poderes sobrenaturais que, acreditava-se, sustentavam as dinastias, reflete-se sobre o longo lago retangular do jardim persa. Elevado à altura de um metro por degraus protegidos por leões e dragões, a plataforma geométrica destinada ao rei, de aproximadamente nove metros quadrados, também se sustenta sobre os ombros de seis anjos e três demônios.

A espetacular peça de arte, concluída em 1806 sob as ordens de Fath Ali, o segundo xá da dinastia Cajar (1779-1925), foi esculpida sobre 65 blocos de mármore arrastados de Yazd, região desértica esparramada na Região Central do Irã. O trono está posicionado entre as duas monumentais colunas de mármore, que se elevam a oito metros para sustentar o pavilhão estendido num eixo horizontal, de mosaicos coloridos, onde foram coroados os cinco sucessores seguintes da dinastia Cajar, além de Reza Pahlavi, que reinou de 1925 até ser forçado a abdicar, em 1941, por ingleses e soviéticos.

Este, que é chamado Pavilhão do Trono de Mármore, uma das mais antigas edificações de Teerã, é adornado pelo delicado trabalho em azulejos, pinturas, esculturas e incontáveis quebra-cabeças de espelhos. Integra o complexo do Palácio Golestan, em tradução livre, Palácio das Rosas, encravado no coração do Centro Histórico de Teerã, nas proximidades do vibrante Grande Bazar.

Palácio Golestan foi erigido ao longo de cinco séculos, acolhendo nesse oásis persa, que mescla fontes e jardins em sua representação do paraíso, as joias da arquitetura tradicional iraniana em sincretismo com as culturas árabes – herança da invasão do século 7 – e europeia do século 18. As fundações desse grandioso complexo de palácios e museus, listado patrimônio mundial pela Unesco, foram lançadas no século 16 pela dinastia Safávida, quando muralhas cercaram a arg (cidadela em persa) – que tinha ao centro um palácio modesto e um salão de audiências, abraçado pelo bosque de árvores. A então pequena cidade de Teerã sediava pela primeira vez uma residência real.

Se, na dinastia de Zand (1749-1779), as muralhas da cidadela ganharam em estatura, no amanhecer da dinastia Cajar, inaugurada por Agha Mohammad Khan, o complexo conquistou nova dimensão, uma vez que, em 1785, a capital do país migrou para Teerã. Além de abrigar a principal residência oficial do rei, também o centro administrativo ali se instalou. Foi, de fato, no século seguinte que o Golestan alcançou o formato que ainda predomina. Impressionado pelos palácios europeus que visitou durante a sua segunda viagem à Europa, em 1872, o xá Nasser al Din Shah (1848-1896) incorporou ao complexo os seus mais impressionantes recintos.

Nesse período, mandou construir na corte real o palácio destinado à residência de seu harém, onde, se estima, viveram entre 800 e 1.200 esposas e mulheres aparentadas, assim como trabalhadoras, serventes, empregadas, escravas e eunucos. Esse palácio, que, dizem, rivalizava em esplendor com os chamados Hall Principal e Hall dos Espelhos, construídos entre 1874 e 1877, foi destruído durante a dinastia Pahlevi, que, entre 1925 e 1945 também pôs abaixo grande parte das edificações do complexo, substituindo-as por prédios comerciais modernos.

Se, entre todos, o Edifício do Sol, construído por Nasser entre 1865 e 1867, é aquele que melhor expressa a fusão entre a arquitetura persa e europeia, constituindo, à época, a edificação mais alta de Teerã para que o xá pudesse apreciar panorâmicas da cidade e arredores, o espaço mais apreciado pelos iranianos é aquele que homenageia Karim Khan Zand, fundador da curta dinastia Zand, governante levou o país à paz depois de quatro décadas de guerras, foi patrono das artes, trouxe prosperidade pela modernização e incentivos à agricultura, e nunca aceitou o título de xá  (rei dos reis). Preferiu ser chamado Vakil e-Ra’aayaa, que significa representante do povo.

Reportagem publicada pelo Estado de Minas em 27/12/2017