A obra Narcisus Garden Inhotim (2009) é de Yavoi Kusama. Está exposta no Centro de Arte Contemporânea e Jardim Botânico Inhotim, em Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte.
O acervo é extenso. São mais de 600 obras produzidas a partir dos anos 60, entre pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos e instalações de mais de 100 artistas brasileiros e estrangeiros, de 30 diferentes países. Há 17 galerias permanentes, desenhadas para abrigar obras de Hélio Oiticica & Neville d’ Almeida, Cildo Meireles, Tunga, Miguel Rio Branco, Adriana Varejão, Valeska Soares, Doris Salcedo, Victor Grippo, Matthew Barney, Rivane Neuenschwander, Janet Cardiff & George Miller, Doug Aitken, Marilá Dardot, Lygia Pape, Carlos Garaicoa e Cristina Iglesias. Outras quatro galerias são dedicadas a exposições temporárias.
O Centro de Arte Contemporânea e Jardim Botânico Inhotim está em Brumadinho, município localizado a 60 quilômetros de Belo Horizonte
E a arte se encontra com a natureza em diversas obras que são edificações ao ar livre. É assim que o legado do carioca Hélio Oiticica (1937-1980) se materializa em Magic Square #5 (1977), executada postumamente a partir de anotações detalhadas, plantas, desenhos e maquetes. No quadrado mágico/praça mágica (ou ambos), o observador é lançado num labirinto de cores e formas geométricas perfeitas, que parecem saltar de uma tela para interferir e renovar o espaço arquitetônico. Seria uma praça, um parque de diversão ou um barracão assentado ali, ao lado de um plácido lago ornamental? Interagir com a obra encravada entre jardins com cerca de cinco mil espécies e variedades de 181 famílias botânicas – quase um terço daquelas conhecidas no planeta – entre palmeiras, além dos imbés, antúrios e copos-de-leite, são puro deleite. O cenário se completa com as montanhas que emolduram a linha do horizonte, tendo, ao sopé resquícios de mata Atlântica e, ao topo, o cerrado.
São mais de 600 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos e instalações de artistas brasileiros e estrangeiros, de 30 diferentes países
Paisagens, flora exuberante, lagos, formações rochosas de quartzito natural escavadas em pátios e escadas vão compondo um soneto mágico. As longas caminhadas em busca de novos tesouros escondidos na imbrincada interação entre arte e natureza deste museu parque pedem repouso. Em recantos aqui e acolá, sob o aconchego da mata ou dos jardins, quase uma centena de magníficos bancos, geniais esculturas desenhadas por Hugo França a partir de resíduos das florestas, convidam à pausa, contemplação e ao descanso. Começaram a ser instalados quando este museu parque ainda era uma ideia, a partir da década de 90. O primeiro deles está sob o centenário Tamboril, hoje um dos símbolos do Inhotim.
Sob o espetacular e centenário Tamboril, símbolo do parque, foi instalado o primeiro de quase uma centena de bancos esculpidos por Hugo França em resíduos florestais
Entre as preciosidades guardadas no mundo mágico de Inhotim, Valeska Soares apresenta a obra Folly (2005-2009). Cercada por um romântico jardim doméstico, – com flores e árvores que se prolongam a partir de um caminho que margeia o lago ornamental, está a galeria. Ou será um coreto de praça? A estrutura espelhada se mistura ao ambiente, absorvendo e refletindo as magníficas paisagens. Visão, tato e olfato se aguçam.
O envolvimento do observador participante se funde e se confunde dando concretude à obra. Ao passar ao interior da galeria, também espelhada, o espectador é transportado junto à projeção do vídeo Tonight (2002), à arquitetura de Oscar Niemeyer: estamos agora, na boate do antigo Cassino da Pampulha, hoje Museu de Arte da Pampulha. Mùltiplas imagens se refletem, enquanto os dançarinos deslizam pelo salão embalados por “The look of love”, de Burt Bacharach, faixa da trilha sonora de “Casino Royale” (1967). Glamour ou decadência? Afirmação ou negação de uma época? Ser ou não ser?
Entre as preciosidades guardadas no mundo mágico de Inhotim, Valeska Soares apresenta a obra Folly (2005-2009). O envolvimento do observador participante se funde e se confunde dando concretude à obra
O museu parque Inhotim é um convite à reflexão e à contemplação da arte que se consuma a partir da interação do homem com a natureza
Vídeo – imagens e edição: M3 Vídeo
Texto: Bertha Maakaroun
Fotos: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press; Rossana Magri/Inhotim; Inhotim/Divulgação e Pedro Motta/Inhotim, em ordem
Galeria: Rossana Magri/Inhotim; Marcelo Coelho/Inhotim; Ricardo Mallaco/Inhotim; Daniela Paoliello/Inhotim; Eduardo Eckenfels/Inhotim
Colaborou na edição desta página: Jornalista Luiz Felipe Nunes