Em Halong Bay, a mais espetacular vila flutuante de pescadores do planeta

Embarcações de todos os portes ziguezagueam entre as ilhotas. Em picos ou arredondadas, saltam das águas límpidas da magnífica baía vietnamita de Halong, no golfo de Tonkin, declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. Por entre as montanhas, aqui e ali, mansas enseadas abrigam as coloridas casinhas flutuantes. São as mais belas e cênicas vilas de pescadores do mundo, escondidas entre mais de 1.600 exóticas formações cársicas de vegetação nativa intocada. Para explicar a explosão de ilhas e ilhotas em calcário monolítico fincadas nas águas de intenso verde, conta a lenda que uma família de dragões, enviada pelos deuses para ajudar os vietnamitas a se defender contra os chineses, cuspia furiosamente joias e jade. Estas, em contato com o mar, emergiram em paredões de até 100 metros. Contra estes se chocaram os navios inimigos. Derrotados os invasores, os dragões se instalaram neste lugar de espetacular beleza. Halong Bay significa, literalmente, a baía onde desceu o dragão.

Por entre as montanhas, aqui e ali, mansas enseadas abrigam as coloridas casinhas flutuantes

As referências mitológicas que explicam a fundação deste lugar único no planeta, estão intimamente relacionadas à história do povo e da constituição da nação vietnamita. Foi no rio Bach Dang, que deságua no golfo de Tonkin, onde se deu no século XIII uma das grandes vitórias militares da história do país contra aquela que é considerada parte da terceira invasão Mongol (1287-1288), assegurando, naquele momento, a independência. Séculos à  frente, Halong Bay integrou o mito da luta anticolonialista contra os franceses, gravada nas telas de cinema por Indochina, de 1992, dirigida por Régis Wargnier (i).

Indochina, de 1992, filme dirigido por Régis Wargnier, é clássico estrelado por Catherine Deneuve, ambientado na Indochina (atual Vietnã) nos anos 30. Sob a dominação francesa, inicia-se o processo político que, décadas mais tarde culminaria na declaração da independência por Ho Chi Minh. No longa, Deneuve vive o papel de Eliane Devries, proprietária de seringais que adota Camille, uma jovem princesa.

Neste caldeirão místico de rara beleza vivem cerca de 400 famílias de pescadores

Dragões e divindades percebidos nas silhuetas esculpidas na morfologia calcária das ilhas e ilhotas, levam a uma coleção de nomes atribuídos pelos nativos, ao longo dos últimos séculos. É nesse caldeirão místico de rara beleza, onde  vivem cerca de 400 famílias de pescadores, em quatro vilas flutuantes na baía: Ba Hang, Cua Van, Vang Vieng e Cong Dam.

Do centro de Vang Vieng, partimos num bote a remo para conhecer o entorno de rara beleza. O grande portão natural desta vila é obra esculpida ao longo de milhões de anos. O movimento das placas tectônicas foi empurrando lentamente as pedras para acima do nível do mar. Ao longo desse processo, o choque incessante das ondas contra o calcário foi abrindo em algumas ilhas vastas e profundas cavernas e, em outros cenários como ali, o majestoso arco em pedra, ou como o chamam os moradores, Vang Vieng Gate. O paraíso mora logo ali.

Texto e imagens: Bertha Maakaroun

Edição Vídeo: M3 Vídeo