A lista de paradas obrigatórias conhecida, é grande. Começo pela El Ateneo Grand Splendid, certa de que, como um dia defendeu Borges, o paraíso seria uma espécie de biblioteca. Pois bem. A livraria Ateneo da Santa Fé , situada onde foi o teatro Grand Splendid, é uma das mais lindas do mundo: conservou as características e traçados arquitetônicos originais deste edifício inaugurado em 1919.
O Cementerio de La Recoleta com os belos mausoléus de personagens da história argentina como Evita Perón, em seu entorno vibrante de confeitarias, mall, lojas, serviços e a elegante avenida Alvear estariam em qualquer roteiro da capital portenha.
Nas proximidades, ao centro da Plaza de las Naciones, a bela escultura metálica da Floralis Genérica, – com 18 toneladas e 23 metros de altura – se abre ao amanhecer e se fecha com o cair do dia, saudando o Museu Nacional de Bellas Artes. E são inúmeros museus, entre eles, o Museu de Arte Latino Americano (Malba) e o belo Museu Histórico Nacional.
Mas a capital portenha de incontáveis parques e áreas verdes é tudo isso e muito mais. Nas ruas, pura gentileza e solidariedade. Pelas bodegas e restaurantes, o culto ao prazer da boa mesa. Para além dos campeões mundiais em suculentos bifes mágicos extraídos do contrafilé – de chorizo, de ancho, e de ojo – ou parrilladas completas, acompanhados por preciosos Malbecs de Mendonza, são inúmeras opções para caber em todos gostos e orçamentos.




Do Tegui de German Martitegui, passando pelo Don Julio, bodega para carnes e chorizo em Palermo Soho, ou talvez, Güerrin, para a imortal pizza argentina.
São estas experiências em que o ritual sagrado da refeição eleva imortais ao céu de Dante Alighieri, bem representado no Palácio Barollo.




Em comum com los hermanos, temos um passado de exploração e colonização europeia, de dizimação das populações nativas. Nas palavras de Eduardo Galeano, que expôs ao mundo as veias abertas da América Latina: “Ellos tenían la Biblia y nosotros teníamos la tierra. Y nos dijeron: `Cierren los ojos y recen`. Y cuando abrimos los ojos, ellos tenían la tierra y nosotros teníamos la Biblia”.
No país do mais incrível Papa que a Igreja Católica já teve, a atuação dos jesuítas está associada às missões, à educação, o que é visível em diversos monumentos como o Colégio Nacional, – primeiro esboço de universidade que constituiu um marco na formação de líderes argentinos. Por este passou a geração de líderes que conduziu o país à Revolução de Maio de 1810, primeira revolta contra colonizadores bem sucedida na América do Sul em seu processo de independência.
Os subterrâneos de Buenos Aires também marcam a presença engenhosa dos jesuítas, que construíram, entre os séculos XVII e XVIII, impressionante rede de túneis que uniam a partir da Manzana de las Luces, as igrejas aos edifícios públicos, segundo alguns historiadores acreditam até o Forte onde hoje está a Casa Rosada e, sem dúvida alguma até o Cabildo, que abrigou em 1810 o primeiro governo municipal e a Primeira Junta de Governo da Argentina Independente.
Buenos Aires é um estado de espírito, onde gênios da gastronomia como Francis Mallmann, sobem à ribalta. Com a palavra o imortal Jorge Luís Borges:
“Siempre he sentido que hay algo en Buenos Aires que me gusta. Me gusta tanto que no me gusta que le guste a otras personas. Es un amor así, celoso.”
Texto
Bertha Maakaroun
Imagens
Werner Brigitte
Kaled Naya
Luis Argerich
Christian Haugen
Fonte : Wikimedia Commons
Bertha Maakaroun (imagem destacada)