FONTE: Wikimedia Commons
Biblos, um dia centro mercante e religioso da civilização fenícia, guarda as pedras remanescentes do Templo do Obelisco, uma preciosidade do segundo milênio antes de Cristo, que, por seu turno, foi edificado sobre as ruínas do povo amorita (2100 AC). Romanos deixaram as suas pegadas e, muitos séculos depois, por ali, os cruzados chegaram para um dos palcos de sua guerra santa. Aquele que foi o seu castelo medieval levantado sobre as ruínas romanas ainda subsiste.
Oito mil anos de ocupação humana ininterrupta – desde o período Neolítico por volta de 5000 AC – tornam Biblos a mais forte candidata ao título de cidade mais antiga do mundo. Situada a 40 quilômetros ao Norte de Beirute, a cidade portuária é testemunha do florescer da genial civilização fenícia e da difusão do seu alfabeto por volta de 800 AC: eram 22 símbolos distintos reelaborados a partir dos hieróglifos egípcios que substituíram a escrita cuneiforme – dos quais derivaram os alfabetos latino, árabe, grego e hebraico.
Biblos fundou-se, em princípio, como uma pequena vila de pescadores. Os habitantes originais consideravam-se cananeus e chamavam-na Gebal, em árabe Jbail, nome que ainda conserva. Mas para os antigos gregos, contudo, era a terra dos “fenícios”, conhecida por Biblos, referência ao substantivo bublos – que significa papiro: controlava todo o comércio para a Grécia dos “rolos” produzidas pelos egípcios, que legaram à humanidade o principal suporte para o desenvolvimento da escrita. Também da palavra Biblos, derivou-se o nome Bíblia. Seriam, em si, razões suficientes para justificar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
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Civilização brilhante de mercadores, que viria a estabelecer colônias pela costa mediterrânea, entre as quais a poderosa Cartago, no Norte da África, já entre o terceiro e o segundo milênio AC os fenícios, chamados “príncipes dos mares”, dominavam como ninguém a arte da construção de navios e o comércio no Mediterrâneo, levando a um rico intercâmbio comercial, cultural e religioso. Cercada por uma muralha de pedra maciça, duas grandes portas nela foram fincadas: uma face ao mar – símbolo do tráfego de caravanas rumo à Síria e das trocas comerciais com os povos do Egito e do mar Egeu; a outra mirando as civilizações continentais, como a Mesopotâmia.
Em Biblos estão as ruínas de sucessivas civilizações que escreveram, ao longo dos milênios, a história do Mediterrâneo: amoritas – povo nômade semita originário dos desertos árabes, que por volta de 2100 AC; hicsos (1800 AC), originários do corredor sírio-palestino denominado “governantes de terras estrangeiras”, expulsos pelos egípcios (1580 AC); Alexandre, o Grande (330 AC), romanos (64 AC-395 DC) e, na sequência foi controlada pelo Império Bizantino (395-637 DC). Com a ascensão dos muçulmanos, entrou em declínio e foi a porta para a invasão cruzada da Idade Média, em 1098. Recuperada pelos árabes, caiu em novo esquecimento, até ser “redescoberta” em 1860 pelo historiador francês Ernest Renan. Foi quando Fênix, ancestral dos fenícios, renasceu ao Ocidente.
Texto: Bertha Maakaroun