Os majestosos maciços alpinos se debruçam sobre as águas esverdeadas. Ora transparentes, exibem sem qualquer pudor a alma do lago; ora espelhadas, duplicam o esplendor da paisagem.
Entre delicados bistrôs, sofisticados restaurantes, em meio ao seu bairro medieval de pequenas pontes sobre canais e janelas floridas,
Annecy testemunha o plácido passar do tempo. Um longo tempo, que fincou marcas do neolítico há três mil anos Antes de Cristo ao período medieval.
Em meio ao canal Thiou, o Palais de L’Isle, é o cartão postal da antiga prisão do século XII e, ao alto da colina, em vigília sobre a cidade, o Château d’ Annecy descortina paisagens da Vieille Annecy e do imperturbável lago cristalino, reduto de esportes aquáticos. Este abre ainda passagem para passeios de barco, que colorem paisagens espetaculares até o minúsculo povoado de Talloires, com seus restaurantes e enquadramentos cênicos das margens opostas e entorno: o Château de Duingt, a montanha Semnoz e seu branco pico Crêt de Chatillon. Hotéis deste povoado, como a Abbaye de Talloires ganharam fama por abrigar o impressionista Paul Cezanne e o escritor Mark Twain. Já o Pere Bise Hotel recebia Brigite Bardot e Charlie Chaplin. Para além de Talloires, contudo, que segundo histórias locais teria sido considerada o “lugar mais lindo do mundo” por Winston Churchill, Annecy mantém o título da joia dessa região.


Annecy abrigou uma das mais antigas povoações dos Alpes Norte, segundo revelaram escavações recentes, que descobriram nas proximidades da Ilha dos Cisnes, um vilarejo habitado entre 3100 a 2500 AC.
Mas foi por volta do século I AC, durante o período galo-romano, em que a Gália esteve sob o domínio do Império Romano, que ali floresceu rapidamente uma vila com cerca de 2 mil habitantes, chamada Boutae. Esta se expandiu em direção à planície de Fins, onde foram encontradas ruínas suficientes para indicar a precisa localização do Forum, Templo, Termas e do teatro. Com o enfraquecimento e posterior queda do Império Romano, a população de Boutae se dispersou por volta do século VI.
Localizada entre Genebra e Chambéry, a história de Annecy foi fortemente influenciada por ambas entre os séculos X e XIX. Após a decadência de Boutae, inicia-se uma nova ocupação progressiva das margens do rio Thiou, na embocadura do lago: a posição era estratégica e foi se convertendo numa fortaleza. A partir desta, no século XII, foi edificado o castelo para abrigar o conde de Genebra, em conflito com demais bispos. A cidade se tornava a capital do condado de Genebra. O castelo se tornou residência do principado, até a extinção da família em 1394, quando morreu o último membro, Robert de Genebra, o antipapa de Avignon, sob o nome de Clemente VII.
Foi com o avanço do Calvinismo, em 1535, que a cidade, já sob o estado de Sabóia desde 1401, transformou-se em centro para a Reforma Católica: para lá transferiu-se a sede episcopal de Genebra.Séculos depois, em 1792, durante a Revolução Francesa, a região da Sabóia foi conquistada pela França, a religião perde força, mas, a restauração bourbônica, em 1815 devolveu a cidade à Casa de Sabóia, anexada pela França em 1860. Annecy tornou-se, então, a capital do novo Departamento da Alta Saboia.
Texto: Bertha Maakaroun
Imagens: Tony Grist , Léna , Antoni , Alex Brown
Fonte : Wikimedia Commons Pixabays