A um toque das nuvens, a montanha russa mais cênica da Europa

A estrada serpenteia paisagens dramáticas, rasgando o coração do Hohe Tauern National Park, maior reserva natural da cordilheira alpina. Ao longo de 48 quilômetros, em 36 curvas acentuadas, abrem-se florestas, cursos d’ água, lagos, plantações, geleiras eternas, fósseis reveladores de civilizações.
A um toque das nuvens, a montanha russa mais cênica da Europa

De uma ponta, em Fusch, a 805 metros de altitude, ou de outra em Heiligenblut, a 1.301 metros, a via ascendente margeará cumes e topos do mundo até alcançar o mais alto deles, Edelweiss-Spitze, parada cênica a 2.571 metros. Dali abrem-se vistas panorâmicas de mais de 30 montanhas do maciço alpino austrí­aco, entre elas, Grossglockner, a mais alta da Áustria, que batiza esta espetacular estrada europeia. Com 3.798 metros de altitude, esse pico, o segundo em altura da cordilheira, leva aos seus pés o mais longo glaciar dos Alpes Orientais, o Pasterze.

Inaugurada em 3 de agosto de 1935, a construção dessa bela estrada,  aberta apenas entre maio e fim de outubro, atrai quase um milhão de turistas ao ano. Durante o inverno o acesso é inviável. Os registros dão conta de que em abril, antes de sua reabertura, é necessária a remoção de entre 600 mil e 800 mil metros cúbicos de paredes de neve que chegam a alcançar 21 metros de altura.

A Cordilheira dos Alpes é uma barreira natural que desafiou ao longo de milênios exércitos, imigrantes e peregrinos.

Ao longo dessa estrada, mais precisamente a 2.504 metros de altitude, no cume da montanha de Hochtor, na fronteira entre as regiões da Carinthia e de Salzburg, há 2.000 AC civilizações pré-celtas, celtas e romanas desafiaram o frio e a natureza para construir uma rota comercial. Nesse ponto, a trilha Celts, Pack-animal and Romans sobre a crista da montanha convida a uma caminhada de 25 minutos até o portal do túnel de 311 metros.

Uma coleção de picos acima de trê mil metros de altitude, enfeitados com a neve eterna, emolduram toda a estrada de Grossglockner. Se esse zigue-zague cênico se inicia em Fusch, entre milharais, terminará em Heiligenblut, – ou Holy Blood (Sangue Sagrado).

A minúscula vila está encravada em um vale cortado por rio, aconchegada entre os picos de Grossglockner, Johannisberg e Fuscherkarkopf. Entre as poucas ruas que transformam Heiligenblut num cenário mágico, em contraste com os maciços, domina a cena a Igreja de Saint Vicent.

A 2.369 metros de altitude, o Kaiser-Franz-Josefs-Höhe é o ponto de observação do Grossglockner e do glaciar. O centro de visitantes oferece facilidades diversas, além da torre de observação Wilhelm Swarovski da fauna e flora. As montanhas alpinas são o habitat natural do majestoso ibex alpino (capra ibex) de longos chifres curvos, utilizados nas disputas entre machos por acasalamento.

Ao longo dessa estrada, mais precisamente a 2.504 metros de altitude, no cume da montanha de Hochtor, na fronteira entre as regiões da Carinthia e de Salzburg, há 2.000 AC civilizações pré-celtas, celtas e romanas desafiaram o frio e a natureza para construir uma rota comercial. Nesse ponto, a trilha Celts, Pack-animal and Romans sobre a crista da montanha convida a uma caminhada de 25 minutos até o portal do túnel de 311 metros.

Uma coleção de picos acima de trê mil metros de altitude, enfeitados com a neve eterna, emolduram toda a estrada de Grossglockner. Se esse zigue-zague cênico se inicia em Fusch, entre milharais, terminará em Heiligenblut, – ou Holy Blood (Sangue Sagrado).

A minúscula vila está encravada em um vale cortado por rio, aconchegada entre os picos de Grossglockner, Johannisberg e Fuscherkarkopf. Entre as poucas ruas que transformam Heiligenblut num cenário mágico, em contraste com os maciços, domina a cena a Igreja de Saint Vicent.

Segundo a lenda, em Constantinopla, uma imagem de Cristo teria sangrado milagrosamente, após de ter sido estapeada. O sangue foi coletado em um pequeno vidro, que chegou ao imperador. Depois de muitos anos de leais serviços a esse governante, o dinarmarquês chamado Briccius quis retornar à  sua terra natal. Obteve autorização para levar a relí­quia com o sangue, como recompensa por seu trabalho. Arrependido de ter feito a oferta, o imperador mandou emboscá-lo à saída dos muros da cidade. Fracassou. Ferido na panturrilha, ali Briccius escondeu a relí­quia.

Em seu caminho de volta pelos Alpes, Briccius foi sepultado por uma avalanche.  Contudo, às vésperas do Natal, fazendeiros da região subiram às montanhas para coletar feno, quando encontraram fios de grama verde que nasciam da neve. Impressionados, cavaram o local e acharam o corpo de Briccius, a quem consideraram um homem santo, uma vez que a grama nascia de seu coração. Sabiam que precisavam enterrá-lo, mas não sabiam onde deveriam fazê-lo. Resolveram depositar o corpo numa carroça puxada por bois até que parassem espontaneamente.

A bela igreja de Heiligenblut foi construída onde os animais interromperam o curso. Dias depois, os moradores do vilarejo notaram que o pé de Briccius havia saído do túmulo. Depois de examinarem o corpo detidamente, encontraram a pequena garrafa contendo o sangue. Lá está ela, ao centro da igreja, sob um pedestal que leva à tumba de Saint Briccius.

Trata-se de uma das versões da lenda, que atiça a imaginação dos crentes, e acrescenta mistério às paisagens inesquecíveis.

A agricultura, assim como uma mina de ouro na Antiguidade, fizeram de Heiligenblut passagem para o caminho pelos Alpes e, mais tarde, estrada romana, cortando o espetacular Hochtor. Essa trilha, provavelmente, foi usada durante a civilização de Hallstatt, que se seguiu à Idade de Bronze Tardia.

Texto: Bertha Maakaroun

Fotos: Archives Grossglockner High Alpine Road e Bertha Maakaroun (Heiligenblut)

Edição e Ví­deo: M3 Ví­deo