Ágora Antiga (Atenas)

É inconteste o fato de o cartão postal da espetacular Acrópole, elevado a 156 metros sobre a rocha calcária, reinar sobre Atenas, atraindo de imediato turistas atônitos à Acrópole para testemunhar as delicadas e monumentais colunas de mármore pentélico do Pártenon de Fídias, – dedicado à deusa Atena.

Na larga praça pública, cidadãos se reuniam para uma variedade de propósitos. De mercado a palco de performances teatrais, competições atléticas, treinamentos militares a até as mais dramáticas decisões tomadas em assembleias de cidadãos a ágora constituía o núcleo da pólis.

No entorno da Ágora - coração da cidade-estado - estavam conjuntos de edifícios públicos relacionados à vida administrativa.

Entre eles a prisão. Por ali passou, um dia, o filósofo Sócrates, mestre de discípulos como Platão e Xenofontes, condenado por motivos políticos como herege. Sócrates optou por tomar cicuta a negar os seus ensinamentos: “Esta forma de se desembaraçarem daqueles que criticam não é nem muito eficaz nem muito honrosa.”

As palavras deste homem que considerava a vida sem ciência uma espécie de morte, e que não temia desafiar o conhecimento – “só sei que nada sei”– ganharam a imortalidade: “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”. E pelos relatos de Platão, Sócrates mais do que nunca vive.

Como cientista política, sou forçada a endossar as palavras de Péricles. Nesse mesmo sítio arqueológico da Ágora, o Stoa of Attalos Museum traz um conjunto de preciosidades escavadas ao longo do tempo relacionadas ao sistema político que revolucionou o mundo e elevou o povo à condição de principal ator da vida pública.

No entorno da Ágora - coração da cidade-estado - estavam um conjunto de edifícios públicos relacionados à vida administrativa.

Para o mal – decisões danosas –  ou para a imortalidade, – grandes feitos – só com a palavra o ser humano atinge a sua plenitude. Não à toa nesse regime de democracia direta, estão em exibição nesse museu as chamadas ostrakas, peças em cerâmica usadas como cédulas para condenar ao exílio e ao silêncio cidadãos considerados perigosos pelo poder de argumentação. Como toda decisão política, muitas injustiças foram conduzidas por este instrumento cego de poder: Temístocles, herói das guerras persas, foi forçado a deixar Atenas. Morreu no exílio. Ali também, kleroterion, equipamento utilizado para o sorteio de cidadãos que ocupariam postos públicos. Ainda mais eloquente, datado de 337-336 AC,  a Lei Ateniense para a democracia está descrita numa placa de mármore, por ocasião da votação de uma nova lei contra a tirania. Em alto relevo, o Povo de Atenas é coroado pela mão da democracia.

Texto: Bertha Maakaroun
Imagens: Fonte:  Pixels.com